28 de set. de 2009
Rio Tubarão passa dos 4 metros
TUBARÃO, SC, BRASIL — Rio Tubarão volta a deixar a população em alerta.
16 de set. de 2009
Crise econômica e novas doenças
Entre 1981 e 1983 o mundo passou por uma forte crise econômica. Na América Latina falava-se em moratória e o México puxava a fila em um de seus períodos mais graves. A crise do início da década de 80 também chegou ao Brasil, o assunto por aqui era a dívida externa impossível de se pagar e a inflação – a renda per capita despencou.
Naquele ano de 1983 um vírus originário dos símios foi identificado por franceses e portugueses, estava desvendado o causador da síndrome da imunodeficiência adquirida – a AIDS, na sigla em inglês. O sistema imunológico humano não soube combater o invasor e a esperança para os que contraem a doença ficou nas mãos dos laboratórios e seus coquetéis de alto preço. A crise passou e a AIDS alcançou o mundo todo, silenciosamente. Matou todo tipo de pessoa, independente de sexo, raça ou classe social.
Os anos 80 passaram, o muro de Berlim caiu, a Guerra Fria acabou e lá estávamos em 1995 quando uma nova crise ameaçou se formar e desestabilizar o sistema econômico. No Brasil, esta quase-crise fez com que alguns bancos fossem vendidos e outros fechassem – Nacional, Bamerindus, Econômico, por exemplo. No ano seguinte, uma doença rara e mortalmente rápida reapareceu na África central: o ebola. Dessa vez a crise não aconteceu de fato e passou, como o vírus, de forma bastante rápida. Mas não sem antes espalhar o medo pelo mundo.
Entre 1997 e 1999 breves doses de novas crises, mas foi possível chegar com certa tranquilidade ao novo milênio. Veio o medo do Bug do ano 2000, queda nas bolsas; em 2001 o atentado do dia 11 de setembro e um mundo preocupado com a segurança, no mesmo ano os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e dois anos depois o Iraque também estava explosivo – o que resultou no alto preço do petróleo. Nos anos seguintes a Ásia balançou, a crise voltou a atingir América Latina, a Rússia e chegou à Europa. Foi nessa época que a gripe das aves foi identificada em humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou o mundo para o risco de uma nova pandemia, gastou-se milhões com remédios e vacinas. Possivelmente o dinheiro que circulou devido ao medo do terrorismo e da “nova” gripe tenha contribuído para reanimar o mercado internacional nesse começo de século. A tempestade passou, veio a calmaria.
E tudo ia bem até o ano de 2008, quando uma nova crise chegou. Todos os jornais do mundo noticiaram o infeliz momento da economia global – cada vez mais integrada e virtual. Bancos quebraram, empresas pediram ajuda aos governos, as maiores economias do mundo entraram em recessão. Dessa vez, os países em desenvolvimento sentiram menos o impacto da crise e continuaram a vida a seu modo. Foi quando, no México, uma nova doença foi identificada: a gripe suína – mais tarde chamada de Influenza A, H1N1. Logo o medo da pandemia estava na cara das pessoas, nas capas dos jornais, nos anúncios da TV. O vírus alcançou as maiores cidades do mundo em pouco tempo, mas se adaptou mesmo foi ao inverno gelado dos países do hemisfério sul – milhares de casos registrados na Argentina e no Chile.
A gripe, apesar de ter tirado a vida de muita gente, gerou dinheiro e emprego – como todas as outras doenças e guerras que conhecemos. Os governos dos países atingidos ou não, pelo vírus, passaram a comprar grandes doses de medicamentos e acessórios para uma possível “prevenção”. O dinheiro do mundo voltou a circular. O comércio exterior não parou como ameaçava meses antes. Mais uns meses e alguns países saíram da recessão. E a melhor notícia: a vacina está quase pronta para o uso, em tempo de impedir que a gripe alcance os países do hemisfério norte durante o inverno que está por vir.
Mais uma vez a crise dá sinal de que logo vai passar – já é possível ver no noticiário que algumas economias mundiais saíram do vermelho –, e o número de casos de gripe tem diminuído por aqui.
Revendo o passado, ligando os pontos, pode-se pensar numa relação entre economia e saúde – não é de hoje que esses dois assuntos andam juntos. A gripe espanhola, por exemplo, foi identificada logo após a Primeira Guerra Mundial por volta de 1918. A gripe aviária, na Ásia, já havia aparecido nos anos 60 – durante a disputa Estados Unidos x União Soviética e as guerras no Vietnã e na península da Coreia. O ebola também já havia afetado alguns povos da África no ano de 1976.
Talvez nossa História seja mesmo cíclica – com umas poucas mutações.
Publicado às 10:00 (-3 GMT) 0 comentários # Crise Econômica, Economia, Mundo, Opinião, Redação, Saúde
Naquele ano de 1983 um vírus originário dos símios foi identificado por franceses e portugueses, estava desvendado o causador da síndrome da imunodeficiência adquirida – a AIDS, na sigla em inglês. O sistema imunológico humano não soube combater o invasor e a esperança para os que contraem a doença ficou nas mãos dos laboratórios e seus coquetéis de alto preço. A crise passou e a AIDS alcançou o mundo todo, silenciosamente. Matou todo tipo de pessoa, independente de sexo, raça ou classe social.
Os anos 80 passaram, o muro de Berlim caiu, a Guerra Fria acabou e lá estávamos em 1995 quando uma nova crise ameaçou se formar e desestabilizar o sistema econômico. No Brasil, esta quase-crise fez com que alguns bancos fossem vendidos e outros fechassem – Nacional, Bamerindus, Econômico, por exemplo. No ano seguinte, uma doença rara e mortalmente rápida reapareceu na África central: o ebola. Dessa vez a crise não aconteceu de fato e passou, como o vírus, de forma bastante rápida. Mas não sem antes espalhar o medo pelo mundo.
Entre 1997 e 1999 breves doses de novas crises, mas foi possível chegar com certa tranquilidade ao novo milênio. Veio o medo do Bug do ano 2000, queda nas bolsas; em 2001 o atentado do dia 11 de setembro e um mundo preocupado com a segurança, no mesmo ano os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e dois anos depois o Iraque também estava explosivo – o que resultou no alto preço do petróleo. Nos anos seguintes a Ásia balançou, a crise voltou a atingir América Latina, a Rússia e chegou à Europa. Foi nessa época que a gripe das aves foi identificada em humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou o mundo para o risco de uma nova pandemia, gastou-se milhões com remédios e vacinas. Possivelmente o dinheiro que circulou devido ao medo do terrorismo e da “nova” gripe tenha contribuído para reanimar o mercado internacional nesse começo de século. A tempestade passou, veio a calmaria.
E tudo ia bem até o ano de 2008, quando uma nova crise chegou. Todos os jornais do mundo noticiaram o infeliz momento da economia global – cada vez mais integrada e virtual. Bancos quebraram, empresas pediram ajuda aos governos, as maiores economias do mundo entraram em recessão. Dessa vez, os países em desenvolvimento sentiram menos o impacto da crise e continuaram a vida a seu modo. Foi quando, no México, uma nova doença foi identificada: a gripe suína – mais tarde chamada de Influenza A, H1N1. Logo o medo da pandemia estava na cara das pessoas, nas capas dos jornais, nos anúncios da TV. O vírus alcançou as maiores cidades do mundo em pouco tempo, mas se adaptou mesmo foi ao inverno gelado dos países do hemisfério sul – milhares de casos registrados na Argentina e no Chile.
A gripe, apesar de ter tirado a vida de muita gente, gerou dinheiro e emprego – como todas as outras doenças e guerras que conhecemos. Os governos dos países atingidos ou não, pelo vírus, passaram a comprar grandes doses de medicamentos e acessórios para uma possível “prevenção”. O dinheiro do mundo voltou a circular. O comércio exterior não parou como ameaçava meses antes. Mais uns meses e alguns países saíram da recessão. E a melhor notícia: a vacina está quase pronta para o uso, em tempo de impedir que a gripe alcance os países do hemisfério norte durante o inverno que está por vir.
Mais uma vez a crise dá sinal de que logo vai passar – já é possível ver no noticiário que algumas economias mundiais saíram do vermelho –, e o número de casos de gripe tem diminuído por aqui.
Revendo o passado, ligando os pontos, pode-se pensar numa relação entre economia e saúde – não é de hoje que esses dois assuntos andam juntos. A gripe espanhola, por exemplo, foi identificada logo após a Primeira Guerra Mundial por volta de 1918. A gripe aviária, na Ásia, já havia aparecido nos anos 60 – durante a disputa Estados Unidos x União Soviética e as guerras no Vietnã e na península da Coreia. O ebola também já havia afetado alguns povos da África no ano de 1976.
Talvez nossa História seja mesmo cíclica – com umas poucas mutações.
Publicado às 10:00 (-3 GMT) 0 comentários # Crise Econômica, Economia, Mundo, Opinião, Redação, Saúde
11 de set. de 2009
Desde aquele dia 11
Já passava das 9h quando fui acordado com aquela agitação pedindo que ligasse a TV. Abri os olhos, meio perdido, e apertei o botão vermelho do controle remoto. Na tela um avião acabava de atingir um prédio em Nova York. Logo depois, outro. O edifício se desfez e queimou de um jeito que pôde ser visto até do espaço.
Passado o momento trágico do plantão da semana, soube que encontraram no meio de tudo aquilo que caiu e queimou, o passaporte de um dos sequestradores do avião. Parece que o tal cara tinha ligações com uma organização chamada AlQaeda – que não era tão conhecida como é hoje. Algum tempo depois era o 43º presidente dos Estados Unidos que falava do assunto e dava nome aos bois. George Bush, o filho, dizia que Osama bin Laden era o líder daquela organização e, agora, o inimigo público número um.
Iniciavam ali uma nova cruzada. Tempos depois o contra-ataque começava. O Afeganistão estava cheio de soldados, alvos errados atingidos, destruição e gente pulando o muro na fronteira. O Iraque também virou alvo. Sob a hipotética ameaça de armas químicas – nunca encontradas – Saddam Hussein foi caçado e morto, enforcado no dia 31 de dezembro de 2006. A democracia foi imposta e quase funciona até os dias atuais – com eventuais ataques explosivos. As bombas pipocando em Bagdá ou em Cabul foram das mais impopulares e, hoje, oito anos depois, o inimigo continua desaparecido.
O tal Osama nunca foi encontrado. De vez em quando novos vídeos em que ele discursa aparecem na grande mídia. “Exclusivo! Osama diz...”, isso me lembra aquele filme Mera Coincidência (Wag the Dog, 1997), onde Robert De Niro interpreta um marketeiro contratado para que o presidente não perca as eleições por conta de um escândalo. A solução, no filme, foi criar uma guerra fictícia na Albânia – com personagens feitos para ganhar o público.
Aquela história iniciada em 11 de setembro de 2001, longe das teorias conspiratórias que vemos por aí, foi encerrada com um fade-in sobre a histórias das vítimas – do atentado e das guerras –, os créditos subiram e restou uma certa dose de suspense quanto ao que aconteceu com o cara-mau ficou no ar.
Passado o momento trágico do plantão da semana, soube que encontraram no meio de tudo aquilo que caiu e queimou, o passaporte de um dos sequestradores do avião. Parece que o tal cara tinha ligações com uma organização chamada AlQaeda – que não era tão conhecida como é hoje. Algum tempo depois era o 43º presidente dos Estados Unidos que falava do assunto e dava nome aos bois. George Bush, o filho, dizia que Osama bin Laden era o líder daquela organização e, agora, o inimigo público número um.
Iniciavam ali uma nova cruzada. Tempos depois o contra-ataque começava. O Afeganistão estava cheio de soldados, alvos errados atingidos, destruição e gente pulando o muro na fronteira. O Iraque também virou alvo. Sob a hipotética ameaça de armas químicas – nunca encontradas – Saddam Hussein foi caçado e morto, enforcado no dia 31 de dezembro de 2006. A democracia foi imposta e quase funciona até os dias atuais – com eventuais ataques explosivos. As bombas pipocando em Bagdá ou em Cabul foram das mais impopulares e, hoje, oito anos depois, o inimigo continua desaparecido.
O tal Osama nunca foi encontrado. De vez em quando novos vídeos em que ele discursa aparecem na grande mídia. “Exclusivo! Osama diz...”, isso me lembra aquele filme Mera Coincidência (Wag the Dog, 1997), onde Robert De Niro interpreta um marketeiro contratado para que o presidente não perca as eleições por conta de um escândalo. A solução, no filme, foi criar uma guerra fictícia na Albânia – com personagens feitos para ganhar o público.
Aquela história iniciada em 11 de setembro de 2001, longe das teorias conspiratórias que vemos por aí, foi encerrada com um fade-in sobre a histórias das vítimas – do atentado e das guerras –, os créditos subiram e restou uma certa dose de suspense quanto ao que aconteceu com o cara-mau ficou no ar.
6 de set. de 2009
Ouviram do Ipiranga e nem mais um pio
O Dia da Independência é só mais uma folga no calendário do Brasil. Dom Pedro parece não ter dado muita importância, Portugal não bateu pé, e foi algo tão calmo e natural que não se tem o que comemorar. Nem a quem homenagear. Não houve luta nem paixões, apenas um homem num cavalo à margem de um rio. Simplesmente o Brasil fez as malas, deixou Portugal, e foi morar sozinho naquele 7 de setembro de 1822. Foi o que contaram na escola.
E conhecendo a história por esse ponto de vista, é difícil imaginar qual estudante tem vontade de pular da cama ao cantar do galo, num feriado, para participar de um desfile com um toque de militarismo. Eu, que sempre assisti da plateia – quando não ficava em casa dormindo –, lembro deles:
— Todas as manhãs do dia sete de setembro estarão lá, na avenida, sonolentos, em marcha, ao som de fanfarras desajustadas e carregando uma única bandeira, sem cor: passar de ano.
Desfile da Independência de setembro de 2008 em Tubarão (SC).
Imagens: Anderson Paes
Não é de hoje que escolas públicas e particulares oferecem uns pontos por fora para que seus alunos participem deste grande dia da pátria. E é mesmo difícil encontrar motivação, senão essa, para que acordem cedo e comemorem a conveniente liberdade que herdamos.
E essa prática inocente se repete a cada ano. A mesma prática que se torna intolerável no cenário político, por vezes tão parecido com o ambiente de uma sala de aula. Todo aquele sussurro, conchavo – sem falar das férias duas vezes por ano e da bagunça que fazem –, que só pode ser mudado pelo voto popular. Triste que muitos votos partam daqueles que não se importam com a chantagem da mesma pátria mãe gentil e vão marchar por esmolas ao conhecimento.
Um estranho e infeliz patriotismo.
Publicado às 22:13 (-3 GMT) em Tubarão - SC, Brasil
0
comentários
#
7 de Setembro,
Brasil,
Educação,
História,
Independência,
Opinião,
Redação,
Vídeo
E conhecendo a história por esse ponto de vista, é difícil imaginar qual estudante tem vontade de pular da cama ao cantar do galo, num feriado, para participar de um desfile com um toque de militarismo. Eu, que sempre assisti da plateia – quando não ficava em casa dormindo –, lembro deles:
— Todas as manhãs do dia sete de setembro estarão lá, na avenida, sonolentos, em marcha, ao som de fanfarras desajustadas e carregando uma única bandeira, sem cor: passar de ano.
Desfile da Independência de setembro de 2008 em Tubarão (SC).
Imagens: Anderson Paes
Não é de hoje que escolas públicas e particulares oferecem uns pontos por fora para que seus alunos participem deste grande dia da pátria. E é mesmo difícil encontrar motivação, senão essa, para que acordem cedo e comemorem a conveniente liberdade que herdamos.
E essa prática inocente se repete a cada ano. A mesma prática que se torna intolerável no cenário político, por vezes tão parecido com o ambiente de uma sala de aula. Todo aquele sussurro, conchavo – sem falar das férias duas vezes por ano e da bagunça que fazem –, que só pode ser mudado pelo voto popular. Triste que muitos votos partam daqueles que não se importam com a chantagem da mesma pátria mãe gentil e vão marchar por esmolas ao conhecimento.
Um estranho e infeliz patriotismo.
Publicado às 22:13 (-3 GMT) em Tubarão - SC, Brasil
Assinar:
Postagens (Atom)



