5 de out. de 2010

Um taxi de NY em Vancouver


VANCOUVER, CANADÁ — Tão longe e tão perto. As cidades estão em regiões costeiras opostas mas estão ligadas. Vancouver costuma ser cenário para Hollywood e muitas vezes se disfarça de Nova York para os filmes e séries de TV.

Filhos da mãe gentil

Na escolha entre o que é ruim e o que pode ser ainda pior, levados às zonas pelas orelhas, obrigados a entrar no jogo – pela mãe gentil que insiste a tratar o povo como “filho” incapaz de tomar decisões sozinho – muitos protestam e votam em qualquer um. Como se pusessem o Íbis – “o pior time do Brasil” – no campeonato mais importante.

— Só pra ver no que vai dar.

No que vai dar todos sabem, mas parecem não se importar. Como o filho que apronta apenas pra ver a mãe irritada, sabendo que logo farão as pazes.

Além do filho “revoltado”, há também o fanático, que nas madrugadas, sai a sujar as ruas com pedaços de papel marcados com a cara e o número de seus novos ídolos. Boa parte deles, ídolos de aluguel, cínicos que adotaram a política como profissão e veem o cargo público como um jeito fácil de ganhar dinheiro – e pra isso não se importam em jogar umas migalhas para os seguidores.

Outra parte dos votáveis é formada por ingênuos candidatos, tão apaixonados quanto os que os seguem, crentes de que o partido realmente aposta neles. Os foguetórios e as carreatas após a apuração das urnas mostram como ambos os lados tratam as eleições com paixão – como se os partidos fossem times de futebol e os eleitos seus campeões. O circo está armado.

Talvez seja a hora dessa mãe ceder um pouco, dar um pouco mais de liberdade a certas vontades – sem deixar virar uma bagunça (ainda maior) –, dialogar mais em vez de bater e mandar ter aquela conversa com os tios que fazem justiça com a lei dos outros.

São poucos os que ainda pensam na coletividade e atuam por querer algo melhor, pra realmente mudar. Aliás, é pelos filhos da mãe gentil, egoístas, que sempre sobram vagas para aqueles outros. Quatro anos pra que “talvez” fique tudo bem é tempo demais.