De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.
Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.
E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.
O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.
Até a volta!
30 de ago. de 2009
25 de ago. de 2009
Não foi por medo de avião
No último domingo, um dia típico de sofá e controle remoto, assisti a reportagem do Fantástico que falava do sumiço de Belchior. Depois de tanta gente nem tão preocupada assim com a história, dá até para pensar que pode ser uma jogada para voltar a aparecer na TV. Quem sabe neste fim de mês ele “apareça” nos programas vespertinos de assuntos nem tão relevantes.
Mas Antônio Carlos Gomes Belchior, assim como outros nomes da música brasileira que são pouco ou quase nada valorizados por aqui, não precisa de polêmica para que seus fãs conheçam seus nos trabalhos. Ele, Tom Zé, Fágner e Juca Chaves, por exemplo, ainda contam com seus públicos para isso. Seguem com suas apresentações por aqui e de vez em quando aparecem num Programa do Jô ou algo parecido. Afinal, nunca foram personagens populares – ou populistas –, desses que passam os domingos em programas de auditório.
Na segunda-feira o assunto curioso continuou na internet, no site de notícias da TV Globo, leitores contaram que viram Belchior por vários lugares do país e até no Uruguai. No Twitter, as brincadeiras já surgiram: Belchior no elenco da série Lost e até mesmo uma certa viagem com os outros “reis magos”.
Ainda no mundo da música, Belchior nos últimos anos tem sido ouvido por um público mais novo. Com suas músicas “A palo seco” na voz de Marcelo Camelo (Los Hermanos) e “Alucinação” por Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii). Esta última, citei certa vez aqui no blog: “Amar e mudar as coisas me interessa mais” – que talvez seja a melhor resposta para alguém desaparecer.
Bom, pode-se dizer que o rapaz latino americano perdeu seu medo de avião.
Mas Antônio Carlos Gomes Belchior, assim como outros nomes da música brasileira que são pouco ou quase nada valorizados por aqui, não precisa de polêmica para que seus fãs conheçam seus nos trabalhos. Ele, Tom Zé, Fágner e Juca Chaves, por exemplo, ainda contam com seus públicos para isso. Seguem com suas apresentações por aqui e de vez em quando aparecem num Programa do Jô ou algo parecido. Afinal, nunca foram personagens populares – ou populistas –, desses que passam os domingos em programas de auditório.
Na segunda-feira o assunto curioso continuou na internet, no site de notícias da TV Globo, leitores contaram que viram Belchior por vários lugares do país e até no Uruguai. No Twitter, as brincadeiras já surgiram: Belchior no elenco da série Lost e até mesmo uma certa viagem com os outros “reis magos”.
Ainda no mundo da música, Belchior nos últimos anos tem sido ouvido por um público mais novo. Com suas músicas “A palo seco” na voz de Marcelo Camelo (Los Hermanos) e “Alucinação” por Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii). Esta última, citei certa vez aqui no blog: “Amar e mudar as coisas me interessa mais” – que talvez seja a melhor resposta para alguém desaparecer.
Bom, pode-se dizer que o rapaz latino americano perdeu seu medo de avião.
21 de ago. de 2009
O esperado dia do eclipse
No dia 17 de agosto de 1989, a Lua se apagou completamente no céu. Quatro dias depois (21), Raul Seixas partiu numa viagem interestelar – como dizem alguns fãs. Coincidência ou não, no dia 25 daquele mês a sonda espacial Voyager 2 chegou ao planeta Netuno...
Raul, diferente do que as reportagens de hoje vão dizer, foi além da música. Questionou o Universo, o Homem, a Fé. Formou e informou muita gente do que é o início, meio e fim deste mundo que não quer parar. Contou das coisas que viu, leu e aprendeu – ensinou assim.
Alguns o chamaram de profeta do apocalipse, outros acusaram de todos os tipos de bruxaria. Provavelmente teria sido queimado vivo nos tempos da inquisição. Um alquimista das palavras. Raul experimentou este mundo, sem frescura. Avisou que só o entenderiam “no esperado dia do eclipse”. Talvez por algum motivo que ele já soubesse, talvez aquela tal “velocidade da luz pra alcançar”.
Hoje, 20 anos depois, Raul ainda é citado, cantado, pedido – “Toca Raul” até virou tema de música –, e continua abrindo cabeças, lembrando ideias quase esquecidas por aqui.
Naquela semana em que a Lua se apagou, seus fãs disseram “até a próxima” e até um repórter compartilhou e sentiu aquela despedida (vídeo). No dia 31, ainda em 1989, o Sol também se apagou.
Raul, diferente do que as reportagens de hoje vão dizer, foi além da música. Questionou o Universo, o Homem, a Fé. Formou e informou muita gente do que é o início, meio e fim deste mundo que não quer parar. Contou das coisas que viu, leu e aprendeu – ensinou assim.
Alguns o chamaram de profeta do apocalipse, outros acusaram de todos os tipos de bruxaria. Provavelmente teria sido queimado vivo nos tempos da inquisição. Um alquimista das palavras. Raul experimentou este mundo, sem frescura. Avisou que só o entenderiam “no esperado dia do eclipse”. Talvez por algum motivo que ele já soubesse, talvez aquela tal “velocidade da luz pra alcançar”.
Hoje, 20 anos depois, Raul ainda é citado, cantado, pedido – “Toca Raul” até virou tema de música –, e continua abrindo cabeças, lembrando ideias quase esquecidas por aqui.
Naquela semana em que a Lua se apagou, seus fãs disseram “até a próxima” e até um repórter compartilhou e sentiu aquela despedida (vídeo). No dia 31, ainda em 1989, o Sol também se apagou.
9 de ago. de 2009
Notícias de sempre
Aqueles jornais das sete da noite são iguais em todos os lugares? Lembro dos cliques no controle remoto de quando passei por Recife, Curitiba e Rio de Janeiro; e os telejornais locais, que chegam de Florianópolis ou Criciúma, seguem modelos parecidos: muito acidente de trânsito, polícia, sangue e um pouco de “variedades”.
Aqui parece que não existem notícias regionais que façam a diferença no horário. Uma vez ou outra que aparecem assuntos diferentes – sem contar a gripe. Porém, são raras as matérias sobre a economia e a política estadual. Não que a política catarinense seja das mais interessantes, mas alguma coisa importante aqueles deputados devem fazer – ou não?
A questão é que os jornais da TV, desse horário, parecem apenas divulgar uma ou outra notícia curta – há uma rotina noticiosa. Talvez pelo pouco tempo, não sobre espaço para comentários inteligentes e oportunos. Só apresentações com uma entonação forçada. Mas se o motivo fosse mesmo o tempo, os jornais que passam ao meio-dia, e duram mais, seriam melhores.
Na economia, poderiam nos contar das relações de Santa Catarina com os Estados vizinhos; os tratados e acordos que os últimos governadores tanto assinaram em viagens variadas; além do que se vê sobre a exportação de frango – será essa a única atividade que vira notícia em SC?
Pouco também da cultura diversificada dessa terra. Quase não se sabe das regiões Oeste e Meio-Oeste aqui no Sul do Estado. Quase não se sabe de nada com esses jornais.
Como escreveu Hunter S. Thompson certa vez: “tenha cuidado, não preste atenção no noticiário, mantenha-se puro”. Melhor buscar as notícias daqui e as boas histórias na internet ou num bom jornal impresso – caso encontre algum.
Aqui parece que não existem notícias regionais que façam a diferença no horário. Uma vez ou outra que aparecem assuntos diferentes – sem contar a gripe. Porém, são raras as matérias sobre a economia e a política estadual. Não que a política catarinense seja das mais interessantes, mas alguma coisa importante aqueles deputados devem fazer – ou não?
A questão é que os jornais da TV, desse horário, parecem apenas divulgar uma ou outra notícia curta – há uma rotina noticiosa. Talvez pelo pouco tempo, não sobre espaço para comentários inteligentes e oportunos. Só apresentações com uma entonação forçada. Mas se o motivo fosse mesmo o tempo, os jornais que passam ao meio-dia, e duram mais, seriam melhores.
Na economia, poderiam nos contar das relações de Santa Catarina com os Estados vizinhos; os tratados e acordos que os últimos governadores tanto assinaram em viagens variadas; além do que se vê sobre a exportação de frango – será essa a única atividade que vira notícia em SC?
Pouco também da cultura diversificada dessa terra. Quase não se sabe das regiões Oeste e Meio-Oeste aqui no Sul do Estado. Quase não se sabe de nada com esses jornais.
Como escreveu Hunter S. Thompson certa vez: “tenha cuidado, não preste atenção no noticiário, mantenha-se puro”. Melhor buscar as notícias daqui e as boas histórias na internet ou num bom jornal impresso – caso encontre algum.
7 de ago. de 2009
Feito formigas em dia de chuva
O silêncio das noites de uma cidade pequena, a escuridão quebrada por um distante semáforo a piscar pode se repetir nas outras noites desta segunda semana de agosto. Durante o dia, a movimentada Avenida Marcolino Martins Cabral, no centro de Tubarão (SC), perde alguns de seus carros barulhentos e mostra seu asfalto.
A cidade não parou completamente, mas a decisão da governo municipal de suspender as aulas nas escolas públicas fez com que outras entidades particulares tomassem a mesma atitude.
Um basta na coletividade, nos cumprimentos calorosos, na preguiça de lavar as mãos. O medo real e concreto fez mudar algumas atitudes sociais. E apesar de ouvir por aí que a nova gripe mata tanto quanto a velha conhecida, as pessoas estão desconfiadas com tantos números e más notícias repetidas.
Aqui em Tubarão, cidade com menos de 100 mil habitantes, já são mais de 100 casos suspeitos, alguns confirmados – inclusive uma morte –, e outros ocultos. Sim, existem casos ocultos nessa história de pandemia. Para evitar o pânico. Afinal, gente em pânico é como uma decisão unânime do Congresso: irracional.
Nos dois hospitais da cidade e numa outra clínica particular, as pessoas recorreram à máscara. Trocam olhares desconfiados, tossem disfarçadamente. Até nos elevadores, nos prédios residenciais, parecem todos agitados, com pressa – feito formigas em dia de chuva. O medo tomou conta. Fez meio mundo parar e está nos olhares.
E a chuva, que de longe assustava, chegou.
Publicado às 19:21 (-3 GMT) em Tubarão - SC, Brasil
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Tubarão
A cidade não parou completamente, mas a decisão da governo municipal de suspender as aulas nas escolas públicas fez com que outras entidades particulares tomassem a mesma atitude.
Um basta na coletividade, nos cumprimentos calorosos, na preguiça de lavar as mãos. O medo real e concreto fez mudar algumas atitudes sociais. E apesar de ouvir por aí que a nova gripe mata tanto quanto a velha conhecida, as pessoas estão desconfiadas com tantos números e más notícias repetidas.
Aqui em Tubarão, cidade com menos de 100 mil habitantes, já são mais de 100 casos suspeitos, alguns confirmados – inclusive uma morte –, e outros ocultos. Sim, existem casos ocultos nessa história de pandemia. Para evitar o pânico. Afinal, gente em pânico é como uma decisão unânime do Congresso: irracional.
Nos dois hospitais da cidade e numa outra clínica particular, as pessoas recorreram à máscara. Trocam olhares desconfiados, tossem disfarçadamente. Até nos elevadores, nos prédios residenciais, parecem todos agitados, com pressa – feito formigas em dia de chuva. O medo tomou conta. Fez meio mundo parar e está nos olhares.
E a chuva, que de longe assustava, chegou.
Publicado às 19:21 (-3 GMT) em Tubarão - SC, Brasil
6 de ago. de 2009
América Latina e outro continente a sua escolha
Nos dias de chuva ou quando todos tinham vontade, alguns amigos se reuniam e continuavam uma partida de War, que começaram havia um certo tempo. Resolveram deixar os objetivos das cartas de lado e tentar dominar o mundo – mesmo sabendo que o jogo se tornaria quase interminável. Mas estavam de férias, então continuaram.
No sorteio das cartas ele havia tirado “América Latina e outro continente a sua escolha”, mas com a decisão de conquistar o mundo todo, fez pouco caso e jogou. Num lance de dados, tio Sam começa a avançar para o sul do Caribe. Era a parte que faltava para sua estratégia, pois não há mais perigo de reação do velho Kremlin – agora roncando – com suas poucas peças na Ásia.
A Europa, depois de anos lutando contra os dados que eram jogados por lá, se rebelou e acumulou peças, conquistou parte da África e hoje vive sem grandes objetivos nesse tabuleiro. Quase o mundo todo já foi vencido, pelas armas ou pelos ideais e culturas. Até a China se deixou invadir.
De vez em quando ainda se ouve reações de pequenos exércitos querendo lançar seus dados contra o sempre atento e hiperativo tio Sam. Batem na mesa e jogam sem saber que logo perderão suas últimas pedras coloridas.
A entrada do exército do Norte no território sul americano, ao que tudo indica – depois de algumas rodadas –, será pelos Andes. Ali perto, um último combatente ameaça contra-atacar. Huguito, como é chamado pelos amigos da mesa – com seu sorriso sarcástico estampado na cara –, vive reclamando das novas regras do jogo e ainda pensa em liderar a América do Sul. Os demais jogadores parecem aceitar a vitória e querem apenas cuidar do que têm, travando pequenas batalhas regionais – para que os jogadores mais exaltados não queiram acabar com o tabuleiro e recomeçar a partida.
Quando o clima começa a esquentar, a mãe de Europa, Terra, traz um lanche e suco para acalmar os jogadores. Ainda assim, de vez em quando, discutem. Foi o que aconteceu com um velho amigo chamado Hussein, que brigou com todo mundo e quase partiu para a agressão – acabou mandado embora pelos outros colegas, antes que a coisa piorasse. Depois de momentos assim, os amigos deixam o tabuleiro de lado e vão brincar com seus foguetes de água, nadar, contar piadas, jogar bola – chamam de Olimpíadas.
Dia desses, Terra chegou em casa dizendo que tinha pouca coisa para oferecer e que estava em crise. Os jogadores ficaram desanimados e resolveram ajudá-la nas tarefas do lar. “Depois a gente termina, vamos brincar”, chamou um dos mais novos jogadores, Luís.
Luís não parecia muito preocupado. “É só um jogo!”, repetia – tentando controlar seus amigos, os irmãos Álvaro e Huguito, que haviam discutido dias antes quando um quis atacar o território do outro. Álvaro, que controlava os Andes e perdeu nos dados para o tio Sam, chamou Luís para uma conversa – estava preocupado com as reações nervosas do irmão.
Sorridente e não compreendendo bem o espanhol do colega andino, Luís tratou de acalmar a todos contando que havia encontrado algo interessante em seu quintal. Tio Sam disfarçou, como se deixasse o assunto com Álvaro esfriar, e foi logo conversar com Luís. Ofereceu uns brinquedos em troca do novo achado e estão até agora conversando.
Qualquer dia eles voltam para o tabuleiro.
No sorteio das cartas ele havia tirado “América Latina e outro continente a sua escolha”, mas com a decisão de conquistar o mundo todo, fez pouco caso e jogou. Num lance de dados, tio Sam começa a avançar para o sul do Caribe. Era a parte que faltava para sua estratégia, pois não há mais perigo de reação do velho Kremlin – agora roncando – com suas poucas peças na Ásia.
A Europa, depois de anos lutando contra os dados que eram jogados por lá, se rebelou e acumulou peças, conquistou parte da África e hoje vive sem grandes objetivos nesse tabuleiro. Quase o mundo todo já foi vencido, pelas armas ou pelos ideais e culturas. Até a China se deixou invadir.
De vez em quando ainda se ouve reações de pequenos exércitos querendo lançar seus dados contra o sempre atento e hiperativo tio Sam. Batem na mesa e jogam sem saber que logo perderão suas últimas pedras coloridas.
A entrada do exército do Norte no território sul americano, ao que tudo indica – depois de algumas rodadas –, será pelos Andes. Ali perto, um último combatente ameaça contra-atacar. Huguito, como é chamado pelos amigos da mesa – com seu sorriso sarcástico estampado na cara –, vive reclamando das novas regras do jogo e ainda pensa em liderar a América do Sul. Os demais jogadores parecem aceitar a vitória e querem apenas cuidar do que têm, travando pequenas batalhas regionais – para que os jogadores mais exaltados não queiram acabar com o tabuleiro e recomeçar a partida.
Quando o clima começa a esquentar, a mãe de Europa, Terra, traz um lanche e suco para acalmar os jogadores. Ainda assim, de vez em quando, discutem. Foi o que aconteceu com um velho amigo chamado Hussein, que brigou com todo mundo e quase partiu para a agressão – acabou mandado embora pelos outros colegas, antes que a coisa piorasse. Depois de momentos assim, os amigos deixam o tabuleiro de lado e vão brincar com seus foguetes de água, nadar, contar piadas, jogar bola – chamam de Olimpíadas.
Dia desses, Terra chegou em casa dizendo que tinha pouca coisa para oferecer e que estava em crise. Os jogadores ficaram desanimados e resolveram ajudá-la nas tarefas do lar. “Depois a gente termina, vamos brincar”, chamou um dos mais novos jogadores, Luís.
Luís não parecia muito preocupado. “É só um jogo!”, repetia – tentando controlar seus amigos, os irmãos Álvaro e Huguito, que haviam discutido dias antes quando um quis atacar o território do outro. Álvaro, que controlava os Andes e perdeu nos dados para o tio Sam, chamou Luís para uma conversa – estava preocupado com as reações nervosas do irmão.
Sorridente e não compreendendo bem o espanhol do colega andino, Luís tratou de acalmar a todos contando que havia encontrado algo interessante em seu quintal. Tio Sam disfarçou, como se deixasse o assunto com Álvaro esfriar, e foi logo conversar com Luís. Ofereceu uns brinquedos em troca do novo achado e estão até agora conversando.
Qualquer dia eles voltam para o tabuleiro.
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