A Argentina mais uma vez balançou, como nos últimos anos, econômica e politicamente. A Venezuela, Colômbia e Equador mantiveram suas confusões diplomáticas e trocaram acusações. O Chile, ao lado da Argentina, foi dos países que mais sofreu com a nova gripe. O Uruguai conquistou uma vaga na Copa e mudou de presidente. O Brasil você sabe, escândalos políticos, dinheiro escapando pelo ralo e a notícia da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016.
Bem, vamos por partes:
Argentina: O governo de Cristina Kirchner continua com as pernas bambas. Tentaram até controlar a imprensa – não de forma discreta, como fazem nos outros países da região.
Bolívia: Evo Morales foi reeleito. Continuam plantando coca com subsídio do governo. Fato importante: ganharam da Argentina por 6 a 1.
Brasil: Internamente o Brasil repetiu um evento comum há 500 anos, a corrupção. Fora das fronteiras nos vimos envolvidos num golpe de estado hondurenho com ocupação, acredite, da embaixada brasileira – que dura até hoje. Também planejamos comprar aviões de combate – mas pelo visto nada prioritário, nenhuma compra até então.
Chile: O país sofreu um tanto com a gripe A – os números foram altos por lá. O Chile encerra o ano pensando no segundo turno das eleições presidenciais que, ao que parece, pode devolver o poder à direita – aquela do Pinochet.
Colômbia: Falam mal da Venezuela e Chávez, mas pensam em aceitar um terceiro mandato para o mesmo presidente. Continuam em um tipo de crise diplomática com os vizinhos Equador e Venezuela. Fecharam um acordo com os Estados Unidos – o que criou suspeita da parte de todos os demais vizinhos.
Equador: Apesar da crise com a Colômbia e do apoio ao estilo Chávez o país continua num “silêncio” internacional – pelo menos aqui. Ah, houve aquele caso dos brasileiros da Odebrecht que levaram a culpa por uma obra que, segundo eles, não funcionou como deveria.
Paraguai: Ah o Paraguai! O presidente deles, um ex-bispo, parece saído de um jogo de xadrez: come todo mundo. Já tem alguns filhos. E conseguiram uma ajudinha do Lula quanto ao preço praticado em Itaipu.
Peru: É nas águas peruanas que acontece o El Niño. Culpa do calor por aqui, das chuvas, da seca, etc. Um novo projeto de rodovia ligará o Brasil ao Pacífico através do Peru – ou não.
Uruguai: Um novo presidente assumiu e recusou a residência oficial, vai ficar no seu sítio – menos gasto público, bom exemplo. O país também conquistou uma vaga no Copa do Mundo.
Venezuela: Hum, por lá tudo que acontece de ruim “é culpa dos Estados Unidos”. Compraram umas armas de guerra, da Rússia.
E a Guiana, Suriname? Continuam “desconhecidos” para a maioria dos brasileiros – talvez por participarem do futebol caribenho. A Guiana Francesa... bom, é da França – que quer vender aviões para o Brasil – e vários brasileiros da Amazônia vão pra lá tentar a vida em euros. Rendeu até um Globo Repórter – ou isso foi em 2008? Melhor parar por aqui.
E no último ano da década metade do que foi descrito acima deverá se repetir no continente. No Brasil, até fevereiro vai se falar do carnaval e a partir de março o assunto será Copa do Mundo. Ah tem eleições! Como um jornal disse dia desses: Panetonem et circenses. Até lá!
25 de dez. de 2009
17 de dez. de 2009
Mundo afora num clique
Vindo de Santo André, na grande São Paulo, Valter Ziantoni formou-se engenheiro florestal e nunca parou de registrar o que enquadrava com seus olhos. Desenhou florestas com luz – como na cena capturada em Sarajevo, capital da Bósnia –, e a diversidade brasileira da Mata Atlântica e Floresta Amazônica. Suas imagens verdes também contrastam com um álbum preto e branco de algumas paragens do leste europeu e com ora amarelo, ora colorido do deserto e da savana africana.

Sarajevo, Bósnia e Herzegovina
Ziantoni também faz questão de mostrar a dura realidade da agressão humana aos animais, com algumas fotos sob o título “cry jungle”. Uma forma de alertar para a crueldade que por aí se espalha contra a vida.
Valter e eu estudamos juntos na especialização em Relações Internacionais, onde também conheci sua noiva e companheira de viagens: a também engenheira florestal Leticia Hermoso. Costumávamos participar do mesmo grupo nos trabalhos da pós-graduação e a bagagem cultural diversa rendia bons conteúdos e boas risadas. Valter se mostrou um personagem interessante, com um bom humor, que pode ser conhecido – em partes – na conversa que segue.
Sendo engenheiro florestal e ligado aos assuntos ambientais, acredita na fotografia como forma de preservação ambiental? Há o choque visual da realidade?
Valter Ziantoni: A fotografia é o reflexo plano do real, capturar toda a beleza e diversidade de uma floresta em uma foto seria impossível, e mais impossível ainda seria capturar a dor e impotência diante de crimes ambientais. De qualquer modo a foto exerce um papel mais forte que a palavra, neste caso, a foto choca, a foto traz o real e o mostra, a foto convence e cria percepções até então desconhecidas, sendo uma ferramenta de mobilização fortíssima, pelo simples fato de ser real.
A foto eterniza o momento e o eterno se torna admirável, entretanto no âmbito jornalístico a foto é o veículo que leva a cena aos olhos, ela é uma pequena janela para o todo, o real que está acontecendo à volta, real esse que às vezes é esquecido enquanto a foto é lembrada. Pessoalmente eu penso que a foto deve perturbar, em um sentido positivo, mas tem que apresentar alguma inquietude, a foto deve ser viva. Uma foto é antes de qualquer coisa uma idéia e ao mesmo tempo uma frase não terminada.
Dos novos cenários que encontra, o que tenta “tirar” deles?
VZ: Na verdade eu não tiro, são eles que me dão... (risos). Fotografia é “olho” e técnica, em um novo cenário ou situação, você evoca todos os lugares parecidos em que já tenha estado, por técnica. Mas por “olho”, você busca algo de novo, de impacto, de beleza etérea, alguma coisa que está esperando para ser eternizada. As cores mostram a vida das coisas, o Preto e Branco mostra a alma. É uma questão de como ver o mundo. Creio que quando fotografo o que tento “tirar” de cada novo cenário é a forma como eu mesmo o vejo – o que meus olhos me mostram.
E lugares novos para mim são todos aqueles que eu já conhecia e que por algum motivo qualquer terminei por redescobri-los.

O próprio Valter e sua câmera. Foto: Simone Torrini
Como foram os primeiros cliques, primeiras câmeras?
VZ: Desde muito pequeno comecei a apaixonar-me por câmeras, posso dizer que começou com a câmera antes da foto – meio “o ovo e a galinha”. Meu tio avô tinha uma câmera muito antiga, alemã, um Rodenstock Prontoklapp, de fole, que eu costumava brincar, depois continuei fotografando, até que consegui dinheiro suficiente para comprar minha primeira Reflex usada. Desde aí, nunca deixei de ter uma câmera ao alcance do braço.
Esse caso de “amor” com a fotografia já rendeu algumas premiações, trabalhos?
VZ: O último concurso que ganhei foi no Congresso Florestal Mundial no mês de outubro deste ano, na Argentina; com uma foto que aconteceu quando estava trabalhando no norte do país, realizando o inventário de uma Floresta Nacional. Sempre que tenho a oportunidade tento participar de concursos. Além desse, já ganhei ou consegui menções em outros tantos lugares – Brasil, Itália, Espanha, etc. Tenho vários trabalhos publicados em revistas e participei de vários projetos fotográficos. Fui responsável fotográfico do livro “Itupava, o Caminho de Nossas Origens” no Paraná e fiz fotos para diversos catálogos e livros, também trabalhei como fotografo de corridas de aventura na Bulgária.
E o destino? Aonde pretende chegar?
VZ: Eu costumava fazer planos e pensar onde chegaria, mas agora me dedico ao máximo ao que faço sem esperar recompensas. Apenas deixo que a vida trabalhe um pouco. Eu fotografo porque sou apaixonado por isso e realmente sei fazer, então, posso dizer que as fotos fazem o caminho, assim só vou seguindo a qualquer lugar, desde que seja em frente!
Mais do trabalho de Valter Ziantoni pode ser visto em www.flickr.com/trotamundus

Sarajevo, Bósnia e Herzegovina
Ziantoni também faz questão de mostrar a dura realidade da agressão humana aos animais, com algumas fotos sob o título “cry jungle”. Uma forma de alertar para a crueldade que por aí se espalha contra a vida.
Valter e eu estudamos juntos na especialização em Relações Internacionais, onde também conheci sua noiva e companheira de viagens: a também engenheira florestal Leticia Hermoso. Costumávamos participar do mesmo grupo nos trabalhos da pós-graduação e a bagagem cultural diversa rendia bons conteúdos e boas risadas. Valter se mostrou um personagem interessante, com um bom humor, que pode ser conhecido – em partes – na conversa que segue.
Sendo engenheiro florestal e ligado aos assuntos ambientais, acredita na fotografia como forma de preservação ambiental? Há o choque visual da realidade?
Valter Ziantoni: A fotografia é o reflexo plano do real, capturar toda a beleza e diversidade de uma floresta em uma foto seria impossível, e mais impossível ainda seria capturar a dor e impotência diante de crimes ambientais. De qualquer modo a foto exerce um papel mais forte que a palavra, neste caso, a foto choca, a foto traz o real e o mostra, a foto convence e cria percepções até então desconhecidas, sendo uma ferramenta de mobilização fortíssima, pelo simples fato de ser real.
A foto eterniza o momento e o eterno se torna admirável, entretanto no âmbito jornalístico a foto é o veículo que leva a cena aos olhos, ela é uma pequena janela para o todo, o real que está acontecendo à volta, real esse que às vezes é esquecido enquanto a foto é lembrada. Pessoalmente eu penso que a foto deve perturbar, em um sentido positivo, mas tem que apresentar alguma inquietude, a foto deve ser viva. Uma foto é antes de qualquer coisa uma idéia e ao mesmo tempo uma frase não terminada.
Dos novos cenários que encontra, o que tenta “tirar” deles?
VZ: Na verdade eu não tiro, são eles que me dão... (risos). Fotografia é “olho” e técnica, em um novo cenário ou situação, você evoca todos os lugares parecidos em que já tenha estado, por técnica. Mas por “olho”, você busca algo de novo, de impacto, de beleza etérea, alguma coisa que está esperando para ser eternizada. As cores mostram a vida das coisas, o Preto e Branco mostra a alma. É uma questão de como ver o mundo. Creio que quando fotografo o que tento “tirar” de cada novo cenário é a forma como eu mesmo o vejo – o que meus olhos me mostram.
E lugares novos para mim são todos aqueles que eu já conhecia e que por algum motivo qualquer terminei por redescobri-los.

O próprio Valter e sua câmera. Foto: Simone Torrini
Como foram os primeiros cliques, primeiras câmeras?
VZ: Desde muito pequeno comecei a apaixonar-me por câmeras, posso dizer que começou com a câmera antes da foto – meio “o ovo e a galinha”. Meu tio avô tinha uma câmera muito antiga, alemã, um Rodenstock Prontoklapp, de fole, que eu costumava brincar, depois continuei fotografando, até que consegui dinheiro suficiente para comprar minha primeira Reflex usada. Desde aí, nunca deixei de ter uma câmera ao alcance do braço.
Esse caso de “amor” com a fotografia já rendeu algumas premiações, trabalhos?
VZ: O último concurso que ganhei foi no Congresso Florestal Mundial no mês de outubro deste ano, na Argentina; com uma foto que aconteceu quando estava trabalhando no norte do país, realizando o inventário de uma Floresta Nacional. Sempre que tenho a oportunidade tento participar de concursos. Além desse, já ganhei ou consegui menções em outros tantos lugares – Brasil, Itália, Espanha, etc. Tenho vários trabalhos publicados em revistas e participei de vários projetos fotográficos. Fui responsável fotográfico do livro “Itupava, o Caminho de Nossas Origens” no Paraná e fiz fotos para diversos catálogos e livros, também trabalhei como fotografo de corridas de aventura na Bulgária.
E o destino? Aonde pretende chegar?
VZ: Eu costumava fazer planos e pensar onde chegaria, mas agora me dedico ao máximo ao que faço sem esperar recompensas. Apenas deixo que a vida trabalhe um pouco. Eu fotografo porque sou apaixonado por isso e realmente sei fazer, então, posso dizer que as fotos fazem o caminho, assim só vou seguindo a qualquer lugar, desde que seja em frente!
Mais do trabalho de Valter Ziantoni pode ser visto em www.flickr.com/trotamundus
9 de dez. de 2009
O Brasil aos olhos do mundo
O velho país do futuro, da obra do austríaco Stefan Zweig, parece estar deslanchando naquele mesmo estilo do livro: ao seu tempo. Apesar de alguns contra-tempos enfrentados na política externa – como o caso de Honduras e Haiti –, quando o assunto é o próprio Brasil num cenário global, um dos maiores mercados do mundo, a história muda. Jornais de vários países contam os feitos brasileiros e apostam suas fichas na "esperança em verde-amarelo".
O espanhol El País mostra frequentemente casos brasileiros, o papel do país diante de outros atores internacionais, a economia que tem se segurado bem e, claro, contos da floresta – e não só para inglês (ou espanhol) ver. O nome do Brasil, tem sido uma forte marca no exterior. Nesse “fim” de crise, o país tem aparecido também no britânico The Economist e no francês Le Monde.
E foi no mesmo Le Monde que o atual governo se viu prestigiado e a oposição contrariada. Naquela historia da “marolinha” sobre a tsunami da crise, o jornal francês concordou com Lula. Na mesma hora surgiram comentários de que o cliente sempre tem razão – sobre a compra brasileira de caças de combate do país de Napoleão.
Mas o Brasil está tão bem assim? Para o governo está ainda melhor. Lula fecha o ano com mais de 80% de aprovação popular e com uma arma contra a oposição. Tudo pronto para a corrida eleitoral que também estará nas capas dos jornais do mundo todo.
E para o povo, como as coisas estão? Disso quase nada se lê no noticiário internacional. Mas se quem ama o feio bonito lhe parece, o simpático e adorável Brasil está perfeito aos olhos do mundo – pelo menos nos jornais.
O espanhol El País mostra frequentemente casos brasileiros, o papel do país diante de outros atores internacionais, a economia que tem se segurado bem e, claro, contos da floresta – e não só para inglês (ou espanhol) ver. O nome do Brasil, tem sido uma forte marca no exterior. Nesse “fim” de crise, o país tem aparecido também no britânico The Economist e no francês Le Monde.
E foi no mesmo Le Monde que o atual governo se viu prestigiado e a oposição contrariada. Naquela historia da “marolinha” sobre a tsunami da crise, o jornal francês concordou com Lula. Na mesma hora surgiram comentários de que o cliente sempre tem razão – sobre a compra brasileira de caças de combate do país de Napoleão.
Mas o Brasil está tão bem assim? Para o governo está ainda melhor. Lula fecha o ano com mais de 80% de aprovação popular e com uma arma contra a oposição. Tudo pronto para a corrida eleitoral que também estará nas capas dos jornais do mundo todo.
E para o povo, como as coisas estão? Disso quase nada se lê no noticiário internacional. Mas se quem ama o feio bonito lhe parece, o simpático e adorável Brasil está perfeito aos olhos do mundo – pelo menos nos jornais.
5 de dez. de 2009
A tecnologia do trenzinho caipira
Na última sexta (4) a comitiva brasileira que está na Europa com o presidente Lula conheceu o trem de alta velocidade alemão, o ICE (InterCity Express), produzido pela Siemens. A ideia é trazer este modelo de transporte para o Brasil – talvez próprio modelo da Siemens, que é uma das concorrentes para a nova empreitada brasileira. Inicialmente o projeto pretende ligar as cidades de Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro, e futuramente expandir a rede em ramificações que alcancem Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, etc.
Mas para vencer a licitação os alemães terão que aceitar transferir sua tecnologia para mãos e cabeças brasileiras. A mesma situação da compra dos caças de combate – aquela em que França, Estados Unidos e Suécia competem para agradar Brasília. Tecnologia que, logicamente, estará incluída no preço final do produto – tanto do trem, quanto dos aviões.
Além do comércio com outros países, esteve na pauta dos jornais o recente acordo Brasil/Ucrânia para lançamento de foguetes daquele país a partir da base de Alcântara, no Maranhão. Assunto em que o Brasil tem muito o que aprender e o dinheiro é curto. Agora o BNDES vai financiar o projeto “quase pronto” da Ucrânia. Teremos acesso à foguetes que, teoricamente, voam mais que os nossos.
E o custo de se comprar ou investir em tecnologias prontas, compensa? A considerar o curto prazo... compramos o primeiro e aprendemos a montar o segundo, terceiro, quarto, etc; e ao pensar que investimentos em pesquisa e produção exigem planejamento e dinheiro por um certo tempo – o que a cada eleição é cortado para nova análise situação/oposição – podemos dizer que não estamos preparados politicamente para desenvolver tecnologia avançada e que comprá-las ainda é uma boa alternativa.
O que falei até aqui, são apenas exemplos de situações recentes onde recorremos às tecnologias adquiridas ou compartilhadas – não estou a sugerir que se escolha ou produza uma alternativa nacional, mas que a partir de necessidades como as atuais se pense em estimular a produção científica por aqui. Aliás, se existem boas coisas no mundo temos mais é que conhecê-las e se resolve nossos problemas, por que não comprá-las?
O ideal, penso eu, seria ver certos setores públicos do Brasil, como empresas e centros de pesquisa e educação, livres das amarras político-partidárias. Que se invista em educação e num modelo de formação de livres pensadores – para que no futuro possamos escolher novos caminhos, políticas públicas, parcerias com a iniciativa privada e um novo desenvolvimento nas terras brasileiras – no mesmo longo prazo do desenvolvimento social.
E, é claro, podemos lembrar dos bons exemplos nacionais, como a tecnologia desenvolvida pela Petrobras, Embraer, Embrapa, as pesquisas da USP, Unicamp e outros centros de áreas diversas – conhecimento que também exportamos.
Porém, depender de financiamento para se desenvolver é um caminho difícil; depender de interesses políticos – ora eleitoreiros – é outro, ainda mais complicado e bastante sinuoso. E apesar de termos capacidade intelectual – tanto que muitos de nossos cientistas são “levados” para outros países –, ainda estamos no segundo caminho – em obras.
---
O Trenzinho Caipira
Heitor Villa-Lobos
Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…
(Ferreira Gullar)
Mas para vencer a licitação os alemães terão que aceitar transferir sua tecnologia para mãos e cabeças brasileiras. A mesma situação da compra dos caças de combate – aquela em que França, Estados Unidos e Suécia competem para agradar Brasília. Tecnologia que, logicamente, estará incluída no preço final do produto – tanto do trem, quanto dos aviões.
Além do comércio com outros países, esteve na pauta dos jornais o recente acordo Brasil/Ucrânia para lançamento de foguetes daquele país a partir da base de Alcântara, no Maranhão. Assunto em que o Brasil tem muito o que aprender e o dinheiro é curto. Agora o BNDES vai financiar o projeto “quase pronto” da Ucrânia. Teremos acesso à foguetes que, teoricamente, voam mais que os nossos.
E o custo de se comprar ou investir em tecnologias prontas, compensa? A considerar o curto prazo... compramos o primeiro e aprendemos a montar o segundo, terceiro, quarto, etc; e ao pensar que investimentos em pesquisa e produção exigem planejamento e dinheiro por um certo tempo – o que a cada eleição é cortado para nova análise situação/oposição – podemos dizer que não estamos preparados politicamente para desenvolver tecnologia avançada e que comprá-las ainda é uma boa alternativa.
O que falei até aqui, são apenas exemplos de situações recentes onde recorremos às tecnologias adquiridas ou compartilhadas – não estou a sugerir que se escolha ou produza uma alternativa nacional, mas que a partir de necessidades como as atuais se pense em estimular a produção científica por aqui. Aliás, se existem boas coisas no mundo temos mais é que conhecê-las e se resolve nossos problemas, por que não comprá-las?
O ideal, penso eu, seria ver certos setores públicos do Brasil, como empresas e centros de pesquisa e educação, livres das amarras político-partidárias. Que se invista em educação e num modelo de formação de livres pensadores – para que no futuro possamos escolher novos caminhos, políticas públicas, parcerias com a iniciativa privada e um novo desenvolvimento nas terras brasileiras – no mesmo longo prazo do desenvolvimento social.
E, é claro, podemos lembrar dos bons exemplos nacionais, como a tecnologia desenvolvida pela Petrobras, Embraer, Embrapa, as pesquisas da USP, Unicamp e outros centros de áreas diversas – conhecimento que também exportamos.
Porém, depender de financiamento para se desenvolver é um caminho difícil; depender de interesses políticos – ora eleitoreiros – é outro, ainda mais complicado e bastante sinuoso. E apesar de termos capacidade intelectual – tanto que muitos de nossos cientistas são “levados” para outros países –, ainda estamos no segundo caminho – em obras.
---
O Trenzinho Caipira
Heitor Villa-Lobos
Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…
(Ferreira Gullar)
4 de dez. de 2009
O fim pode ser um bom começo
O ano termina em 27 dias. Um ano que trouxe à tona datas marcantes em números redondos – uma interessante coincidência da História no fim de cada década: eventos que mudaram o mundo. E 2009 certamente já entrou para a lista de fatos marcantes com eventos como a grave crise econômica, gripe suína, morte de Michael Jackson, a descoberta de água na Lua e a posse de Obama.
Neste mesmo ano, prestes a terminar, lembraram dos 40 anos da chegada do homem à Lua e do disco Abbey Road, dos Beatles; 50 anos de carreira de Roberto Carlos, 20 da morte de Raul Seixas; o centenário dos clubes de futebol Internacional (RS) e Coritiba (PR); 110 do Vitória (BA), do Milan (ITA) e do Barcelona (ESP); 20 do São Caetano (SP) – precisamente neste dia 4 de dezembro.
São 50 anos também do início da Guerra do Vietnã; outros 30 da criação do Estado do Mato Grosso do Sul; 40 da criação dos Correios; 40 do Jornal Nacional (Rede Globo); e 40 do primeiro e-mail. São 120 anos da Proclamação da República no Brasil; 60 anos da criação da OTAN; 70 anos do primeiro poço de petróleo no Brasil; 70 do fim da Guerra Civil Espanhola e 70 do início da Segunda Guerra Mundial; e 80 anos do nascimento de Martin Luther King; 90 anos da primeira transmissão de rádio no Brasil; 120 anos do nascimento de Adolf Hitler e também de Charles Chaplin.
Há 120 anos também era inaugurada a torre Eiffel e fundada a cidade de Campo Grande (MS). Há 130 nascia Albert Einstein e Carlos Chagas; e há 140: Gandhi. Há 160 anos nascia Paul Cézanne. Outros 200 anos do nascimento de Abraham Lincoln e Charles Darwin. São 220 anos da Revolução Francesa e das primeiras eleições nacionais dos Estados Unidos; 710 da criação do Império Otomano – que durou até 1923.
E há 80 anos, também passávamos por uma grande crise econômica que deu dor de cabeça em muita gente – ainda bem que há 110 anos inventaram a aspirina. E tantas coisas mais...
Neste mesmo ano, prestes a terminar, lembraram dos 40 anos da chegada do homem à Lua e do disco Abbey Road, dos Beatles; 50 anos de carreira de Roberto Carlos, 20 da morte de Raul Seixas; o centenário dos clubes de futebol Internacional (RS) e Coritiba (PR); 110 do Vitória (BA), do Milan (ITA) e do Barcelona (ESP); 20 do São Caetano (SP) – precisamente neste dia 4 de dezembro.
São 50 anos também do início da Guerra do Vietnã; outros 30 da criação do Estado do Mato Grosso do Sul; 40 da criação dos Correios; 40 do Jornal Nacional (Rede Globo); e 40 do primeiro e-mail. São 120 anos da Proclamação da República no Brasil; 60 anos da criação da OTAN; 70 anos do primeiro poço de petróleo no Brasil; 70 do fim da Guerra Civil Espanhola e 70 do início da Segunda Guerra Mundial; e 80 anos do nascimento de Martin Luther King; 90 anos da primeira transmissão de rádio no Brasil; 120 anos do nascimento de Adolf Hitler e também de Charles Chaplin.
Há 120 anos também era inaugurada a torre Eiffel e fundada a cidade de Campo Grande (MS). Há 130 nascia Albert Einstein e Carlos Chagas; e há 140: Gandhi. Há 160 anos nascia Paul Cézanne. Outros 200 anos do nascimento de Abraham Lincoln e Charles Darwin. São 220 anos da Revolução Francesa e das primeiras eleições nacionais dos Estados Unidos; 710 da criação do Império Otomano – que durou até 1923.
E há 80 anos, também passávamos por uma grande crise econômica que deu dor de cabeça em muita gente – ainda bem que há 110 anos inventaram a aspirina. E tantas coisas mais...
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