10 de nov. de 2009

A maré trouxe outra garrafa



Bom dia! Segue um texto para seguidores e seguidos. Um texto em blocos que não ultrapassam os 140 caracteres. Apenas a refletir.

Discute-se política, piada, polêmica, pobreza, putaria. Que p@#%, não? Ora "falamos" sozinhos. Há alguém à deriva?

Lê-se de baixo para cima, de cima para baixo e tanto faz. Que importam os sentidos agora? A esta altura, quase nada.

Há no Twitter mais gente a dar RT do que a pensar e escrever. É auto-censura? Às vezes os outros falam mais besteiras que nós.

Por que copiam tanto? Pode-se criar mais. Diga alguma coisa! Traduza pensamentos.

Houve um tempo em que pensávamos por noites inteiras. Filosofia de praia. Conversa de quem não dorme.

Hoje pensamos, sozinhos, em poucas palavras. Com contadores de letras e espaços, símbolos gráficos... São 140 e nada mais.

Às vezes limitados pela métrica (?) de uma micro-mensagem, enviamos a nova garrafa com bilhetes – a ser levada pela maré. A perder de vista!

Mais uma onda quebrou na praia. As mensagens que por aqui chegavam eram únicas. Hoje a maioria vem com tampa plástica. E começa com “RT”.

3 de nov. de 2009

De liberdade e esperança

Todo tipo de idealismo parece ter morrido. O que temos hoje são resquícios de tudo e de nada, distorções e mutações de todos os gêneros; e de todas as formas de governo conhecidas, não houve uma que não tenha tomado gosto pelo poder e usado isto em benefício próprio. Do ideal comunista vimos surgir o autoritarismo – da igualdade pela mão de ferro –, e do capitalista o consumismo – do quanto mais, melhor e para o bolso de poucos.

De toda forma, parte do mundo está migrando do consumismo – que ainda predomina – para um liberalismo real. Não aquele liberalismo econômico padronizado dos clássicos de economia, mas um que também possibilita a liberdade de pensamento. Um liberalismo mais social. A humanidade parece ter adquirido nestes últimos anos uma certa consciência de que a informação e a capacidade de pensar traz benefícios não só para o indivíduo, mas também para a sociedade. Pois é verdade que produzimos mais informações nos últimos 50 anos do que em vários outros séculos de História.

É claro que, em muitos lugares, muita gente ainda está longe disso. Além das limitações promovidas pela influência dos idealismos do passado – fatores econômicos, por exemplo –, há ainda os limitadores sociais – questões como o analfabetismo e a fome. Mas também se vê, em algumas regiões, o povo a escapar de dogmas – gerais, não somente os da fé –, e que a ciência tem possibilitado novas ideias – por mérito do acesso à informação. Ideias que podem mudar ainda mais o mundo.

Temos muito ainda para refletir e desenvolver, mas a saída desta mais recente crise econômica mostra que o mundo se reergueu com novas ideias, como novos anti-corpos. A crise ainda provou que o liberalismo atual não era lá muito liberal e que o Estado ainda é parte importante deste sistema. Mas agora, com as coisas voltando aos eixos, pode-se planejar uma nova estratégia para a economia – para que os erros não se repitam. E o papel do Estado não deve voltar a ser o proposto pelo capitalismo ou comunismo – como alguns acusaram o governo de Barack Obama, pós-crise –, nem por outros tantos ...ismos.

Resta a esperança de que se faça um Estado-Livre, planejado para que sua população tenha tempo de receber uma formação adequada e livre. O que só teremos depois de uma consciente disputa eleitoral e da pressão popular por resultados das ações dos eleitos. Bem, como disse: liberdade e esperança – ainda sonhos.

1 de nov. de 2009

A cultura do anunciante de cidade pequena

Existe nas cidades pequenas uma espécie de anúncio por indicação ou camaradagem. Boa parte dos anunciantes acabam fechando acordos comerciais no velho estilo “caderneta” do mercado da esquina. Há também grandes anunciantes que, apesar de terem agências de publicidade, acabam cedendo a todo tipo de mídia.

Mas a questão está na informação de qualidade – rara ou pouco acessível nessas cidades. Jornais semanários são produzidos aos montes em cidades menores – pode-se tirar um ou dois que publicam algo relevante; os demais, no maior espaço da edição, publicam releases de assessoria de políticos da região.

Já nos diários, a relação muda: publicam assuntos relevantes, mas são poucas as histórias que chamam a atenção no meio de tanta coisa noticiada. Aliás, a maior parte das coisas há tempos são apenas noticiadas. Poucas são as histórias que ganham uma narrativa, uma forma bem contada. E o profissional de jornalismo – quando profissional – às vezes se acomoda na pauta repetida, na cadeira e ao telefone; "muitas vezes por força do patrão", como disse um amigo jornalista.

O mesmo ocorre nas Rádios. Programas cheios de anúncios ou terceirizados. E onde o grande chamariz para o anunciante não é a audiência, mas a boa fala do apresentador – que quase sempre vende seus próprios anúncios. É um cargo bastante indefinido este de comunicador e vendedor de publicidade. Algumas TVs também oferecem espaço para anúncios e os produzem – aproveitando-se da cultura (ou falta de) dos anunciantes locais.

Observa-se que, sendo as coisas como são, os anunciantes de cidades pequenas não são muito exigentes – esperam apenas aparecer e certamente não tem controle do retorno de sua publicidade. No máximo possuem estimativas do alcance, de acordo com a tiragem do veículo impresso – que muitas vezes não condiz com a realidade.

E então podemos questionar: se um novo veículo, interessado numa publicação de bom conteúdo, surgisse numa cidade dessas, teria sucesso? É possível que venha a fracassar em pouco tempo. Pois entraria na disputa pelos mesmos anunciantes que já possuem um laço com seus veículos preferidos – difícil de ser quebrado –, e pouco se importam com os leitores destes veículos – preocupam-se mais com o preço do anúncio e a exibição de sua marca, da maneira que for.

É por este motivo que sempre existem anunciantes em revistas que publicam somente classificados e anúncios em geral – comum em cidades pequenas. É uma questão cultural que só se modificará com o acesso à informação de qualidade – e levará um certo tempo para que a população exija tal informação; assim como também levará tempo para que os anunciantes percebam as exigências do público e então escolham anunciar em veículos de qualidade.

No momento, na maioria dessas cidades, a informação vale menos que o espaço, o nome da empresa de comunicação, e a influência das pessoas que fazem a grande imprensa de uma pequena cidade.