Deixando o Hyde Park para trás, no centro de Londres, sigo pela calçada com a câmera na mão e uma bolsa no ombro. Ao meu lado uma amiga suíça atrapalhada com o vasto conteúdo em sua bolsa de couro. Seguimos em direção a uma praça com a ideia de fotografar o lado de lá.
Enquanto esperamos para atravessar a rua – sinal vermelho para os pedestres –, observo a figura de um indiano, talvez paquistanês, de barba branca, pele morena e turbante laranja que se aproximava.
Logo penso: Que bela foto daria! – Mas não clico. Nem mexo o braço. Vendo que eu estava distraído, minha amiga me puxa pelo braço para atravessarmos a rua.
Chegamos à praça. Ela para mais uma vez para ajeitar a bolsa. Eu olho os pombos – muitos deles. Lembro de uma foto que um amigo fez, com pombos voando em sua direção. É interessante quando eles “decolam”. Estou alguns passos adiante. Fotografando aleatoriamente. Me abaixo para um novo angulo, quando então surge na minha frente aquele senhor de turbante. “Eu posso te ver”, diz ele. Eu me levanto e indago, ou melhor, engasgo um: “Perdão!?”
E ele começa a história:
— Eu posso ver em você. Vejo que você é uma pessoa de sorte. Posso ver que vai ter três felicidades nessa vida. E que o próximo mês será muito importante para você.
Eu, ainda engasgado, um tanto perdido naquela estranha história, agradeço otimista e surpreso com a boa notícia. Mais uma vez obrigado! Enquanto ele sorri e acena para alguém, que apenas ele viu, até sair de cena.
A garota suíça se aproxima, pergunta sobre o que falávamos. Narro a história e ela sorri dizendo: “Mas ele não disse que felicidades são essas?”
A curiosidade nos é comum, mas não, ele não disse. Alguns acreditam em mensagens, destino, qualquer coisa esotérica do gênero – ainda mais vindo de um estereótipo místico do sudeste da Ásia. Mas o que dizer? São respostas que só teremos com o tempo. Como um “a seguir, cenas do próximo capítulo” da minha própria vida.
Quando tiver respostas dou notícias.




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