8 de mai. de 2011

Vai entrevistar a mãe!

Tudo bem. Aceito o desafio.



Todo ano o dia das mães é feito de reportagens sobre o comércio e o presente que elas ganham. E elas insistem: “não tem presente melhor que você, meu filho!”

É, mãe é mãe!

Tem gente que acha que mãe dura muito. Uns nem sabem que tem mãe. Outros a gente duvida que tenham. E ainda há aqueles que durante 90 minutos preferem ser órfãos – né seu ‘juiz’?

Bom, tenho a minha. Muitos podem pensar que esse é o caminho mais fácil para uma entrevista, mas não. Ouvir as respostas mais do que sinceras de alguém que a gente conhece e, pior, conhece bem a gente pode ser bastante complicado. Tente agendar uma entrevista séria com a sua!

Liguei e perguntei:
— Mãe, posso te fazer umas perguntinhas?

Pra começo – ou meio – dessa história minha mãe “já passou dos 50”, como ela sempre diz. Casada há mais de 30 anos. Neta de italianos, “fala” com as mãos e parece sempre perdida na cozinha – sempre apressada. Tem todo um lado espiritual e de fé. Ri das piadas sem graça dos filhos e mais ainda das que o neto de três anos – meu sobrinho – já ensaia contar.

Ela sempre foi aquela mãezona. Puxa-saco dos filhos. E com aquelas premonições que os filhos cismam que são pragas:
— Não corre que vai cair.

Sempre seguido de um irritante “Eu avisei”. Hoje ela vive em São Paulo.

Eu: Mãe, como é ser mãe?
Mãe: Estudou tanto pra fazer essa pergunta? Próxima!

Eu: Vocês tem certeza que eu sou filho de vocês?
Mãe: Claro. Já te disse isso mais de mil vezes. Além disso, por que acha que gastamos tanto contigo?

Eu: Do que mais sente saudade do tempo em que ainda não era mãe?
Mãe: De dormir. Vocês só me deixam preocupada!

Eu: As mães sempre dizem gostar igual dos filhos. De qual gostas mais?
Mãe: Hum... (pensando). Da tua irmã (risos, muitos).

O que supostamente seria uma entrevista acabou virando “discussão” familiar, com o telefone no viva voz e minha irmã, ao lado, rindo à beça.

— Vá entrevistar a sua!

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